quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

estou postando a história "Invisível" no blog Desejos de Menina (http://desejosdemeninablog.blogspot.com/)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Fille (dezoito e último)

Se tinha uma coisa que eu amava, eram flores. Sempre fui mega apaixonada por flores. Abri a porta e encontrei praticamente um jardim.
- Meu Deus, amor. Você comprou a floricultura inteira? - perguntei, ainda não acreditando.
- Não, ainda ficaram algumas na loja para os outros clientes - ele riu.
- Ai, você não existe mesmo - eu disse.
- Não, se tem alguém que não existe, é você; nunca imaginei que todas as qualidades possíveis do mundo pudessem estar concentradas em uma pessoa só. Fico feliz de você ter me escolhido - falou.
- Miguel, que exagero, amor - fiquei envergonhada.
- Não, não é... Estou falando sério. Todos os meninos da escola e qualquer um que te vê na rua, todos mesmo, eles se apaixonam. Você tem alguma coisa que é diferente das outras meninas - continuou.
Eu já estava ficando muito vermelha, ele era o perfeito daqui. Lembrei que cheguei no quarto por causa das pistas e isso me lembrou que eu tinha que descobrir o que era Fille e então achei um jeito de fazer ele parar de falar aquelas coisas fofas:
- Fille é flor, amor?
- Não, sua bobinha - ele riu.
- Mas, hmm, então? - eu não estava entendendo mais nada.
- Ainda não acabou, vem cá, fecha os olhos - ele pegou minha mão e começou me guiar.
Não fazia a menor ideia de onde eu estava, para onde ele havia me levado, mas se tinha uma pessoa que eu confiava, era nele.
- Pode abrir - falou.
Tinha um pique-nique lindo, em um lugar perfeito. Do lado da casa dele tinha uma floresta que eu sempre tive vontade de entrar, ela parecia tão acolhedora... Agora eu estava lá e com a pessoa mais perfeita do mundo. Ficamos lá horas e horas, conversando, rindo...
- Olha que lindo esse pôr-do-sol - falei.
- Olha que lindo esse pôr-do-sol ao lado da menina mais perfeita do mundo - ele disse.
Não disse nada, apenas virei e o beijei. Foi como o nosso primeiro beijo, incrivelmente perfeito.
- Tenho uma coisa para te entregar - ele falou e pegou um caderninho.
- O que é? - perguntei.
- Você é muito curiosa, abre e lê - riu.
Uma peça de teatro. Ele tinha escrito uma peça de teatro para mim.
- Quero que você atue comigo. A professora me perguntou se eu queria escrever a peça da conclusão do curso e eu aceitei. Lê e depois me responde, pode ser? - falou.
- Eu aceito - respondi, imediatamente.
- Mas você nem leu... - ele começou.
- Não importa, shhh - o beijei.
(Seis meses depois)
- Tudo pronto? - ele perguntou.
- Ei, amor, relaxa, vai dar tudo certo - tranquilizei-o.
- É claro que vai ser tudo perfeito, você faz parte da peça - falou e saiu.
Ai ai, esse Miguel, ri sozinha.
Esse tempo todo que eu passei aqui me ensinou a ser eu, não me importar com tudo o que os outros pensam de mim. O Miguel me mostrou como é possível ser feliz com coisas simples, um simples sorriso, um olhar, um abraço, um beijo, são pequenas ações que podem mudar o dia de uma pessoa...
- Maju, vamos? - alguém interrompeu meus pensamentos.
- Vamos, vamos - respondi.
A peça foi perfeita, eu já estava no camarim, esperando as últimas falas para agradecer, quando eu escuto:
- Ahm, Maju?
Fui andando para o palco e parei antes de entrar.
- Amor, vem cá - Miguel me chamou.
Fiz que não com a cabeça, mas não adiantou. Ele começou a andar na minha direção e me puxou.
- Só queria te dizer que eu te amo e agradecer por todos os momentos que você passou comigo, foi tudo perfeito, porque você é perfeita, então... - ei, isso não estava no roteiro da peça.
Senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto, uma lágrima de felicidade, enquanto a plateia aplaudia.
- Eu te amo - foi o que consegui dizer, logo depois de cair em seus braços.
- E Fille é... - ele disse no meu ouvido.


FIM
A Menina

domingo, 19 de dezembro de 2010

Fille (dezessete)

Logo depois da maravilhosa surpresa, recebo uma flor com um bilhetinho escrito 'Fille'; só isso, nada mais. Ainda meio sem saber o que era aquilo, pergunto:
- Amor, o que é Fille?
- Não acredito que você ainda não sabe - ele riu.
Morri de vergonha. Eu deveria saber? Mesmo assim, não desisti:
- Não, não sei. O que é? Vai me falar?
- Awn que bonitinha, não precisa ficar brava. Você é e é minha, são as duas dicas que eu posso te dar - falou e virou, indo para o quarto.
Ah não, ele estava jogando comigo? Ele não pode fazer isso, só eu posso jogar com ele, é meu jogo de sedução; o contrário não pode.
- Amorzinhoooooooooo - já que ele estava jogando, ia jogar também.
- Oi prfeição da minha vida - ele respondeu, rindo.
- Não ri de mim - tentei parecer brava, mas não deu certo, nós dois começamos a rir, ele me puxou e me derrubou na cama. Começou a me beijar do jeito mais fofo do mundo. Sim, depois de tanto tempo juntos, ele ainda conseguia.
- Vou te dando dicas. Tem um presente escondido na casa - ele falou.
Rindo, eu disse:
- Você acha que eu sou criança? Que fofo. Vamos, quero brincar.
'Venha ver o sol' - primeira dica.
- Dã, fácil, janela - saí correndo.
'Posso te esquentar' - segunda dica.
- Você tem lareira aqui, amor? - perguntei.
- Procure - foi só isso que ele disse.
- Há, achei - gritei.
'Vou iluminar o seu dia' - terceira dica.
- Mas amor, isso tá muito fácil - falei, indo para o abajur.
'Estou com fome' - quarta dica.
- Sou muito esperta, óbvio que é o fogão - disse, rindo.
- Ou não, não esquece que eu sou uma pessoa prática - ele disse.
- Tá, o microondas - falei, rindo.
'Eu te amo' - quinta e última dica.
- Amoooooor - falei, procurando-o.
Cadê ele?
- Estou aqui, amor - ouvi sua voz.
Quando eu abri a porta, não acreditei.

Continua,
A Menina

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Fille (dezesseis)

- Fala, amor - não estava aguentando mais.
- Calma, preciso me preparar - disse ele, na maior tranquilidade.
Fiquei ali esperando, olhando para cara dele enquanto ele ficava olhando para o teto e ficava meio que relembrando tudo o que tinha pra me dizer.
- Amor? - perguntei.
- Cada vez que você me chamar, vou demorar mais um pouquinho - ele disse, e riu.
'Ei, não tem graça', pensei.
- Pronto - ele disse, e ficou parado.
- Então? - falei.
- Antes eu preciso fazer uma coisa - disse.
- Aaaaah - berrei.
Ele foi chegando perto de mim, me mandou fechar os olhos, segurou no meu queixo e me beijou. Depois de tanto tempo juntos, ele ainda conseguia me surpreender a cada beijo, era mágico, incrível, eu adorava.
- Agora sim, posso começar, certo? - ele perguntou.
- Mas é óbvio que sim - respondi.
- Então eu vou lá pegar - saiu.
Oi? Como assim? Não estou entendendo mais nada. Sentei no sofá e fiquei olhando pela janela, enquanto o esperava. Ele estava demorando, mas tudo bem, eu não ia olhar pra trás, não mesmo.
- Tó, pega - ele disse, jogou um papel em cima de mim e saiu.
Era um papel todo cheiroso, embrulhado em um envelope, lindo, perfeito; que nem ele. Quando eu abro, quase tenho um treco:
'Está sendo cada vez mais difícil te resumir nesse pedacinho de papel, mesmo depois de tantas horas parado, só pensando em você, percebi que você é simplesmente irresúmivel, o que te torna tão diferente e especial são todos esses pequenos detalhes,que fazem toda a diferença, quando vejo você, não consigo notar apenas uma coisa, uma característica marcante, não consigo olhar pra você e explicar exatamente o que te faz ser tão linda, nos seus olhos, posso ver que existe mais do que um pensamento correndo pela sua mente, consigo sentir tantas coisas diferentes perto de você, por isso não posso te definir, te classificar, você é tudo, ao mesmo tempo, para conseguir te explicar, dizer o que você significa, preciso de muito mais que um papel, preciso de momentos, todos os momentos que eu passei ao seu lado talvez possam resumir tudo que você é e representa pra mim, te amo, não por uma coisa, mas por todos os pedacinhos que formam essa pessoa, simpática, meiga, carinhosa, gentil, fofa,linda, incrível, magnífica e perfeita que você é'.
- Amoooooooooooooooooor - gritei.
- Calma ai que ainda não acabou - ele gritou de volta.

Continua,
A Menina

sábado, 30 de outubro de 2010

Fille (quinze)

Não preciso dizer que após ouvir as palavras mais perfeitas do mundo, eu simplesmente dormi. Apaguei. A voz do Miguel ficou ecoando na minha cabeça.

Foram os dois meses mais chatos da minha vida. Fiquei 24 horas por dia deitada em uma cama. Depois do primeiro mês eu já podia receber visitas; todas, mas TODAS as pessoas que eu conhecia foram me dizer pelomenos um 'oi'. Até as que eu nem falava... Enfim.

A peça de final de ano era daqui duas semanas e eu não ia poder participar. Aquela vadia ia fazer par com o meu Miguel, sim MEU. A gente já tinha conversado e estávamos mais apaixonados do que nunca.

Dia da saída do hospital. Ia direto pra casa do Miguel, pois ainda precisava ficar em 'observação', como disse o médico, e na pensão não ia ter como.
Ele abriu a porta para mim e tinha uma faixa enorme escrito 'Fille, minha Fille'.
- O que significa? - perguntei.
- Um dia você vai descobrir - ele disse e me beijou.
- Ah não, me conta amor - afastei ele para ver se ele respondia.
Ele nem se moveu. Sorriu e continuou me beijando.
- Vêm aqui, quero que você ensaie comigo - ele me puxou.
- Tudo bem - respondi.
Nos divertimos muito ensaiando, foi uma tarde maravilhosa, mas do nada o Miguel para e fala:
- Amor, preciso te contar uma coisa.
Gelei.

Continua, A Menina.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fille (catorze)

- Maju, Maju, acorda amor. Majuuuuuu - ouvi o meu, ainda posso dizer namorado?, gritando.
Eu tentei responder, eu juro que eu tentei, mas a minha voz não saiu. Eu vi a cara de preocupação dele mas eu não conseguia falar. Eu queria gritar, falar que eu o amava, mas a única coisa que consegui fazer foi liberar uma lágrima. As últimas palavras que eu ouvi foram:
- Ela está bem, ela está bem. Ela chorou.
Enquanto eu dormia, tudo passou como um filme na minha cabeça. O primeiro dia de aula, a primeira aula com o Miguel, o beijo, os encontros, as risadas, os momentos. A chegada da Bárbara, o meu inferno, o sorvete. Novamente tive a mesma sensação de querer falar e não consegui.
Senti uma mão na minha. Senti um cheiro familiar, uma respiração que me tranquilizava.
- Ei, menino, você precisa sair dai - alguém disse, provavelmente o médico.
- Não, eu vou ficar aqui com ela - Miguel.
- Mas ela precisa descansar - o médico.
- E eu estou atrapalhando? - ele sempre conseguia ser tão inteligente.
"Não, ele não está, deixa ele aqui comigo" - tentei, mas nada.
- Tudo bem, pode ficar - o médico finalmente cedeu.
- Se eu soubesse que era a última vez não teria dito nada do que disse, não teria feito nada além de te abraçar e aproveitar cada segundo sem tirar os olhos de você. Se tivessem me avisado que era a última vez eu poderia implorar para que você ficasse mais um pouco, só para te explicar que mais um pouco seria muito pouco e que por menos que fosse, já seria muito para mim. Se eu soubesse, te falaria mil coisas sem dizer uma palavra, te mostraria mil dias de agonia em um olhar, e quando você estivesse saindo, eu te chamaria de volta só para dizer mais uma vez o 'eu te amo' que ninguém mais vai ouvir e te dar um último abraço, com o amor que ninguém mais te entregaria - se eu não estava ficando louca, foi o Miguel falando.

A Menina

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fille (treze)

- Bárbara - morri.
- Eba, vou ser a Julieta - disse a Bárbara, toda falsa.
- Hm - disse Miguel.
'Como assim? Porque ela e não eu?' Pensei.
Fiquei o dia inteiro pensando nisso. O que ela tinha que eu não tinha?
- Ah amor, não fica assim, você sabe que é só uma peça - Miguel tentou me tranquilizar.
Só uma peça? Poxa, aquilo era o que eu mais queria fazer, meu encerramento de curso, e era SÓ uma peça? Mas mesmo assim respondi:
- Eu sei.
Dois meses tendo que aguentar essa menina dando em cima do meu namorado, não estava aguentando mais.
- Miguel, não consigo mais. Não é porque eu não sou seu par, mas essa menina me provoca - chorei.
- Ah meu amor, vem aqui - ele me abraçou e me beijou.
Maria Júlia, é isso que ela quer, não cai no jogo dela, fica na sua, o Miguel gosta de VOCÊ.
Estava começando a me acostumar com a ideia quando vejo a puta da Bárbara tomando sorvete com o MEU namorado.
Já estava indo falar com ela quando percebi que ele também estava tomando sorvete com ela, então será que...? Não, não podia ser.
Virei e voltei caminhando para casa, tentando raciocinar o que havia acontecido.
Não estava nem pensando direito, só vi uma luz super forte e puf, apaguei.

A Menina

sábado, 28 de agosto de 2010

Fille (doze)

Ela estava de brincadeira comigo, né?
- Oi amores - ela chega, toda falsa.
- Oi - respondo, mais falsa ainda.
Ela olha pra mim com uma cara de: o 'amor' não foi para você, querida.
Eu retribuo com: e ele é MEU namorado, não seu.
Agradeço a tia da recepção quando toca o sinal do começo da aula.
- Nossa, essa menina está acabando com a minha paciência - falo.
- Que menina? - pergunta Miguel.
- A da bicicleta - respondo, sem olhar para ele.
- Ah, sua bobinha. Sabe que o meu amor é todo seu - ele diz, colocando a mão no meu queixo e me puxando.
- Aham, sei - digo.
- É sim - ele diz e me beija.
- Ham ham, os dois pombinhos podem parar? - diz o professor, rindo.
- Desculpa professor, mas essa menina é irresistível - ele diz.
Não vou nem comentar o quão roxa eu fiquei.
- Essa é a nova aluna, ela foi transferida - diz a diretora, entrando na sala.
- Bárbara, prazer - ela fala.
Quando eu olho nem acredito. A menina da bicicleta.
- Seja bem vinda, Bárbara. Pode sentar ali - diz o professor, apontando para uma cadeira na frente da minha.
Ela vai, toda metida.
- Bom, não sei se vocês sabem, mas teremos a apresentação final e já vamos começar a dividir os papéis. Hoje eu trouxe um texto que será lido em casa e na próxima aula já vamos começar a montar - anuncia o professor.
- Essa aula foi legal, estou super empolgado para a peça no fim do ano - diz Miguel.
- Nossa, eu também - respondo, super feliz.
Li o texto. Amei. Era aquela peça que eu queria fazer. Romeu e Julieta.
Uma semana depois começamos a distribuir os papéis. Meu Miguel lindo ficou com o papel principal.
- E quem fará a Julieta será... - o professor começa a falar.

A Menina

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fille (onze)

- Aconteceu o que, Amanda? - perguntei.
- Vem comigo - ela disse.
Quando eu cheguei ele estava sentado normalmente na mesa, mas quando me viu levantou, se ajoelhou e gritou:
- Maria Julia, quer namorar comigo?
Imagina como eu fiquei.
- É claro que sim - falei depois de me recompor.
A praça de almentação inteira começou a aplaudir, ele me puxou e me beijou. Não ouvi mais as palmas, apenas viajei naquele beijo que sempre me deixava louca.
Depois que acabou a aula fomos passear em um bosque que tinha perto da escola, e íamos aproveitar e fazer a tarefa, filmar uma cena escrita por nós.
- Vou comprar um sorvete, quer? - perguntei.
- Quero sim - ele disse.
Cheguei no carrinho de sorvete quando lembrei que esqueci de perguntar que sabor ele queria.
- Me dá duas casquinhas de chocolate, por favor - todo mundo gosta de sorvete de chocolate, né?
Estava voltando, olhando para o sorvete porque eles estavam quase derretendo, que não percebi a bicicleta que vinha na minha direção.
- Cuidado - berrou a menina que estava na bicicleta.
Não deu tempo nem de pensar, quando me dei conta eu já estava no chão. Eu e os sorvetes em cima de mim.
- Aaaaah - berrou a menina, caindo em cima de uns arbustos.
- Você está bem? - perguntei.
- Estou sim - ela respondeu.
Ai, acho que eu tinha quebrado o meu pulso, estava doendo muito.
- Ei meninas, o que aconteceu aqui? - pergunta o Miguel, que deve ter ouvido o grito da criatura.
- Ai, eu cai, está doendo tudo - falou a menina quando viu o MEU namorado.
Ele é uma pessoa legal, então foi ajudar a menina. Ela fez um show, falou que estava passando mal e que tinha quebrado alguma coisa. Claro, porque antes ela estava super bem, né.
Depois de tudo resolvido fomos para a casa dele.
- Ai, meu pulso está doendo - reclamei.
- Porque você não falou isso na hora, amor? - ele perguntou preocupado.
- Sei lá - respondi.
- Besta, vem cá que eu vou cuidar - ele me pegou no colo.
Dormi com ele fazendo massagem na minha mão e acordei no dia seguinte com ele me chamando:
- Amor, vamos para a aula.
Quando estávamos chegando eu olho e vejo a menina da bicicleta bem na minha frente, olhando para o meu namorado.

A Menina

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Fille (dez)

Foi perfeito, ali, no chão da cozinha. Como de costume esqueci da vida e não sei como acordei na cama dele. Quer dizer, eu sei. Acho que ele deve ter me levado.
Quando acordei ele ainda estava dormindo, como um anjinho. Tive que me controlar para não ficar horas olhando aquela carinha fofa. Fui procurar alguma coisa pra comer.
- Bom dia! - escuto no meu ouvido.
- Merda - derrubo a caneca na pia.
- Mas você é uma desastrada mesmo - ele começa a rir.
E antes que eu pudesse me defender ele já me beijou.
- Isso não vale - reclamei.
- Isso o que? - ele fez cara de inocente.
- Isso - beijei-o.
- É, realmente isso é golpe baixo - rimos.
Ele me deixou em casa, é, isso ia acontecer um dia. Eu não ia viver naquela maravilha até a eternidate.
Voltando para a realidade, era dia de escola. Tudo havia acontecido normalmente, mas tive a ótima surpresa de encontrar meu, posso dizer namorado? me esperando na porta de casa.
- Bom dia amor - falou.
- Bom dia lindinho - respondi.
- Vamos? - perguntou.
- Aham - sorri.
Chegando na escola cada um foi para sua aula.
Na hora do almoço:
- Maju, vem cá a-go-ra - disse Amanda. É, ela já estava normal comigo. A história foi meio longa mas deu tudo certo.
- Ahm, tá - respondi, sem saber direito.
- Aconteceu uma coisa muito muito muito séria com o Miguel - ela falou, me levando para a praça de alimentação.

Continua,
A Menina

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Fille (nove)

Eu ia deixar, mesmo. Estava sendo tudo tão perfeito que eu pensei: 'porque não?'. Mas consegui me conter:
- Ei, o que você está fazendo?
- Nossa, desculpa - ele disse, assustado.
- Tudo bem, não precisa pedir desculpa, só vai com calma - acalmei-o.
- É tudo tão incrível com você, nunca passei por isso antes, eu sempre quero te ver mais e mais... - fofo.
- Nunca aconteceu comigo também - revelei.
- Mesmo? - falou.
- Sim, por que o espanto? - perguntei.
- Ah, você é linda, incrível, perfeita... - começou.
- Mas - eu disse.
- Mas nada, só sempre pensei que os meninos caíam aos seus pés - finalizou.
Não consegui me segurar, comecei a rir muito, muito mesmo.
- O que foi? - ele perguntou.
- Nada, é só que isso NUNCA aconteceu - falei.
- Não acredito, que bando de menino idiota - ele riu.
Eu ri mais ainda.
Ele colocou a mão delicadamente sobre a minha boca, fazendo com que eu parasse de rir, e conseguiu, assim que começou a me beijar. Ele sempre conseguia, sempre me envolvia magicamente.
- Você está com fome? - perguntou.
- Ahm... - tentei.
- Ok, vou preparar um lanche para nós - disse e saiu.
Deitei na cama e fiquei pensando. A demora dele interrompeu meus pensamentos.
- Miguel? - chamei.
Nem sei o que aconteceu, senti um jato de água no meu vestido, na minha cara, em tudo.
- Migueeeeeeeeeeeeeeel - berrei.
- Ops - ele falou, com uma super cara de safado.
- Que frio - falei.
- Vem cá, amorzinho - ele abriu os braços.
Não fui, só de raiva. Virei as costas, abri o armário dele e comecei a procurar uma blusa e um short.
Me troquei e fui para a cozinha.
- Hmm, mas que gatinha - ele riu.
- É, alguém molhou o meu vestido - falei, tentando ser brava.
- Nunca achei que essas roupas pudessem ser tão lindas - falou.
Não consegui me segurar, era muito charme para uma pessoa só. Saí correndo e pulei em seus braços. Adivinha em o que resultou? Beijos, perfeitos. Ele colocou a mão em baixo da blusa dele, que eu estava usando e dessa vez eu deixei.

A Menina

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fille (oito)

Isso o quê? Fiquei me perguntando.
- Você me traiu - disse ela, quase chorando.
- Amanda, como assim? - eu não tava entendendo nada.
- Você beijou o Miguel... - ela desabou.
E desde quando isso era traí-la? Ai, pessoas malucas, controle-se Maria Julia.
-Mas você não tem namorado?? - eu não estava entendendo nada.
Ela não respondeu, virou as costas e saiu, chorando, em direção ao banheiro.
- Vamos Maju - disse Miguel.
- Mas... - eu tentei.
- Nada de mas - ele finalizou.
Segui-o, sem saber para onde ele ia me levar. Eu tinha que parar com essa mania. Um dia ele podia me levar para um lugar que eu não queria ir. Desta vez ele só me levou para o carro.
- Vou te deixar em casa - disse.
- Tudo bem - respondi.
Ele colocou uma música e ficamos em silêncio, até que eu não me aguentei e falei:
- Você pode me explicar a história da Amanda?
- Ah amor... - ele estacionou o carro.
- Nada de amor, pode ir contando - eu disse.
Ele demorou um pouco e disse:
- Ano passado a gente namorava. Fomos prícipe e princesa da festa, desta mesma que acabamos de sair. Mas a gente não dava certo, não conseguia me sentir bem com ela. Achei que o melhor era terminar né. Ela ficou arrasada, não saiu de casa por um mês. Foi horrível. Não sabia que ela ainda sentia tudo isso por mim, achei que ela estava bem namorando com o Daniel.
- Nossa - foi o que consegui dizer.
- Tudo bem com você, né? - ele pareceu preocupado.
- Sim, sim - acho.
- Você não vai me deixar por causa dela, por favor - implorou.
- Claro que não, bobo - beijei-o.
Sempre que nos beijávamos era como se eu fosse até o ceu, desse três cambalhotas e descesse voando. Era mágico.
- Adoro quando você me surpreende assim - ele disse.
- Assim como? - perguntei.
- Assim - e me beijou.
Ah, entendi o 'assim'. Mas era ele que costumava fazer isso comigo.
- Vamos? - disse.
Ele ligou o carro e foi. Me dei conta que onde ele parou não era a minha casa.
- Vem amor - ele disse.
- Onde? Essa não é a minha casa - falei.
- Eu sei, é a minha - ele fez uma cara de safado e entrou.
Fui atrás né, o que mais eu poderia fazer?
- Eu te amo - deixei escapar.
- Eu também - ele disse e me beijou, beijou e beijou.
Ficaria só no beijo eternamente mas tive que voltar para a realidade quando ele começou a tirar a alça do meu vestido.

Continua,
A Menina

domingo, 11 de julho de 2010

Fille (sete)

Voltei para a realidade, ainda tonta.
- Eu te amo - ele sussurrou no meu ouvido.
Não falei nada, olhei nos olhos dele, sorri e caí em seus braços, beijando-o novamente.
Quando olhei em volta, já havia mais casais dançando. As solteiras estavam me fuzilando. Quase consegui ler os pensamentos delas: 'como essa menina, que mais parece um menino, chega aqui e em algumas semanas já consegue conquistar o Miguel, coisa que eu tentei desde sempre?'
- Tenho medo delas - escapou.
- Delas quem? - ele perguntou.
- Delas - indiquei com a cabeça.
- Ah, elas são umas crianças - ele riu.
Ele pegou na minha mão e me levou para um banquinho, fora da festa. Ficamos olhando a lua.
- Sabe que eu nunca conheci alguém como você - disse.
- Ei, mas você nem me conhece direito ainda - retruquei.
- Tem pessoas que conhecemos logo assim que avistamos, você é perfeita - ele disse, desviando o olhar.
Uma lágrima caiu, acho que ele não viu.
- Você tem que parar com essa mania de chorar - ele disse, rindo, olhando para lua.
Como assim? Minha lágrima brilha? Como ele viu se não estava olhando pra mim?
- Desculpa - pedi.
- Não precisa pedir desculpas por chorar - agora olhando pra mim.
Sorri. Era o meu jeito de expressar felicidade. E ele sabia disso.
- Eu também gosto de você - falei.
SIlêncio.
- Muito - terminei.
Beijo. É, ele gostava de me surpreender assim. E eu adorava esse jeito dele.
- Namora comigo? - ele perguntou.
Confesso que me surpreendi com o que ele disse. Nunca nada assim tinha acontecido comigo. Agora estava acontecendo tudo de uma vez só.
- Desculpa, acho que fui rápido demais - ele falou, percebendo minha reação.
- Não, é que... - começei.
- Quietinha - ele disse e me beijou.
Mais uma vez. Perfeito.
- Tá ficando frio - eu disse.
- Vamos entrar - ele me chamou.
Me deu a mão e começou a me conduzir para dentro do salão.
- Maria Julia, eu não acredito que você fez isso comigo - berrou Amanda, para todo mundo ouvir.

A Menina

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Fille (seis)

- O que foi isso - perguntei, assustada.
- Não sei - ele pareceu nem se importar com a minha pergunta.
- Sério, deve ter alguém vindo - estava preocupada.
- Não viaja - ele disse, sem desviar o olhar da minha boca.
- Tenho que ir mesmo - disse e saí correndo.
Andei por todo pátio da escola, tudo parecia estar girando, as pessoas pareciam estar me olhando, era uma sensação estranha. Continuei correndo até chegar em casa.
Ela estava lá, a mesma senhora de sempre. Criei coragem e sentei ao seu lado.
- Oi - eu disse.
Nenhuma resposta.
Respeitei e ficamos lá. As duas olhando pro nada, por um bom tempo. Lembrei que eu tinha que ler uns livros e falei, mesmo sabendo que ela não ia responder:
- Boa noite.
Tomei banho, li duas páginas e dormi, profundamente até o meu celular começar a tocar.
Não atendi. Ele parou mas segundos depois começou a tocar novamente.
- Alô - tentei falar.
- Maria Julia? - a voz do outro lado perguntou.
- Eu - tentei mais uma vez.
- Oi, é o Miguel - ele disse, por fim.
Acho que ele viu que eu demorei um pouco pra responder e começou a se explicar, mas eu não ouvi direito. A única coisa que captei foi:
- Te amo, nos vemos amanhã.
Tentei continuar dormindo, mas aquele 'te amo' ficava ecoando na minha cabeça repetitivamente.
Consegui dar uma cochilada e quando estava pegando no sono mesmo, o despertador toca.
Paciência. Levantei, tomei café da manhã e fui andando para escola, como de costume.
Já era sexta-feira. A semana tinha passado voando.
Era a última aula do dia, a aula que eu tinha com o Miguel. Depois do sinal eu sinto uma respiração no meu pescoço e ouço, logo em seguida:
- Te pego amanhã às 21h.
Eu tinha me esquecido completamente da festa. Não estava acostumada com esse tipo de evento.
Como precisava usar vestido longo, eu não tinha roupa. Nem dinheiro para comprar um. Fui no brechó da esquina da pensão e achei um vestido que me parecia ideal, só precisava de uns ajustes.
Sábado às 21h, ele estava lá, maravilhoso.
Entrei no carro e ele não falou nada, nem eu. Fomos assim, o caminho inteiro, até chegar na festa.
- Quer dançar? - ele diz, finalmente.
Ia responder sim, mas quando olho não tem ninguém na pista de dança.
Independente da minha resposta, ele me puxou, me levou bem para o centro e começou a me conduzir. Até que ele me beijou.

A Menina

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fille (cinco)

- Credo Maria Julia, que cara é essa? - Amanda pergunta.
- ... - tento falar alguma coisa, mas minha voz não sai.
Lembro de tudo o que eles fizeram, tudo o que falaram e tento nem imaginar o que eles pensaram aquela noite, no ponto de ônibus. Levantei do refeitório e saí.
Rodei o pátio da escola procurando um lugar onde ninguém pudesse me ver. Avistei uma casinha de madeira, velha, mas me pareceu o adequado.
É nessas horas que ficamos pensando na família, nos amigos antigos, em casa. Estava viajado, como de costume, até que levei um susto:
- Posso entrar?
- Oi? - quem era aquela pessoa?
- Oi, meu nome é Miguel - ele disse.
- Ahm, oi - reconheci o quarto menino, que estava sentado na mesa de almoço com a gente.
- Posso me sentar? - perguntou, já sentando.
Fiz que sim com a cabeça e, sem qurer, deixei escorrer uma lágrima.
- Você está chorando? - me olhou com uma cara estranha.
- Não. Quer dizer, sim - confusa.
- Mas por quê? - ele ficou me olhando.
Viu que eu não respondi e resolveu ficar quieto. Ficamos horas e horas sentados naquela casinha abandonada. Perdemos a aula e eu não conseguia entender porque que ele estava ali comigo.
Não aguentava mais aquele silêncio, resolvi começar a conversa:
- A festa que vai ter, tem todo ano?
- Sim - ele respondeu, frio.
Hm, tá. Achei que ele continuaria, me contando como era, o que tinha. Mas não, apenas perguntou:
- Você quer ir comigo?
Tive que parar um tempo para pensar. Coisas desse tipo não costumavam acontecer comigo. Eu era uma menina esquecida pelo mundo masculino. Era na minha e ninguém prestava atenção em mim. Por que ele estava fazendo essa pergunta?
- Tudo bem, acho - respondi, por fim.
Silêncio.
Me dei conta de que estávamos lá há muito tempo quando, pela minúscula janelinha, vi o sol se por.
- Nossa, já é tarde, tenho que ir - disse, levantando.
Ele puxou meu braço e eu caí. Nossos rostos estavam quase se tocando, os olhos quase fechando, os lábios quase beijando quando ouvimos um barulho.

Continua,
A Menina

sábado, 26 de junho de 2010

Fille (quatro)

Estavam me olhando e cochichando. Sempre olhando para mim. Até que o mais alto dos três falou:
- A gatinha está sozinha?
Fingi que não era comigo, mas eu reconheci aquela voz, já havia escutado-a em algum lugar.
- Ih, acho que ela não quer papo contigo - falou o mais de trás.
Começaram a conversar entre eles. Tentei parecer tranquila e não ligar, mas sabia que o assunto era eu.
Agradeço mentalmente quando passa um ônibus. Independente de qual seja e para onde vai me levar eu faço sinal para ele parar.
Sento no banco da frente ainda fico ouvindo a voz dos meninos na minha cabeça. Eu conhecia aquelas vozes. Mas de onde? Não conseguia assimilar com nada, mas tinha certeza que eram vozes familiares.
Deu tudo certo e cheguei em casa. Estava entrando na pensão quando eu vi a mesma senhora que estava sentada no banco antes. Dei boa noite e ela retribuiu apenas com um sorriso.
Fui dormir. Estava exausta.
Acordei no dia seguinte mas parecia que eu tinha acabado de deitar. Era como se a noite de sono não fosse verdade. É, isso costumava acontecer quando eu pensava demais antes de dormir.
- Maju, porque você foi embora correndo ontem, menina? - para começar meu dia, vem a Amanda, radiante como sempre.
- Não estava me sentindo muito bem - minto.
- Que pena - ela dá um suspiro e o sinal toca logo em seguida. Aproveito e acho um jeito de sair de perto dela.
As aulas foram normais. O professor de História da Arte passou o nome de três livros para nós lermos para a próxima aula. Eram livros pequenos, daria para ler tudo em um dia. Fui direto para a biblioteca locá-los.
A bibliotecária foi bem simpática, ficamos conversando por um tempinho até eu me tocar da hora e perceber que precisava ir almoçar para a aula do período da tarde.
- Maria Julia, senta aqui com a gente - ouvi uma voz e nem precisei me virar para saber que era a Amanda.
Me servi e fui. Quando cheguei ela estava falando com o namorado, sobre uma festa:
- Vai ser uma festa de inauguração, para todos os alunos da escola. Não é genial?
- Claro amor, você tem ideias brilhantes - ele pareceu gostar.
- Você vem né amiga? - ela olhou para mim.
- Engoli direto o que estava comendo, não era muito de festas.
- Ahm, sim - menti mais uma vez.
- Ah, vamos - ela insistiu, parecendo perceber a minha insegurança na afirmação.
Neste mesmo momento chegaram quatro meninos, três na frente e um mais para trás, os amigos do Daniel, namorado de Amanda. Eram os mesmos que estavam com ele no dia do chocolate quente.
- Oi gente - os três primeiros falaram juntos.
Foi quando eu reconheci. Sabia de onde conhecia aquelas vozes.


Continua,
A Menina

terça-feira, 22 de junho de 2010

Fille (três)

Calma, respira e continua em frente. O idiota aqui é ele.
- É, até que essa roupa tá boa - é o primeiro comentário que Amanda faz, assim que entro no carro.
- Ahm, obrigada - respondo, meio sem graça.
- Esse é o meu namorado, Daniel - ela diz e sorri para ele.
- Já nos conhecemos - digo.
- Já se conhecem, amor? - ela pergunta pra ele, como se duvidasse da minha afirmação.
- Já sim, tivemos um pequeno acidente - ele diz e sorri para mim.
Retribuo, adoravelmente.
Não sei direito para que shopping estamos indo, não conheço aqui ainda. A cidade é grande e estou meio perdida.
- Maju, posso te chamar assim? Comentei com o Fernando que iríamos sair e ele vai nos encontrar no cinema, tudo bem? - ela sempre fala tudo tão alegre.
- Claro - respondo sem saber quem é Fernando.
Seria melhor se eu tivesse perguntado. Chego a essa conclusão quando vejo que este Fernando é o menino que me convidou pata sair na última aula.
Cinema, pipoca, bala, chocolate, refrigerante. Como eles comiam. Fiquei só na pipoca e quase não aguentei.
Não lembro de muita coisa do filme, porque logo no começo senti um braço envolvendo meus obros, uma mão colocando minha cabeça em seu pescoço e baba. Sim, baba. Esse tal de Fernando me beijou a força e ainda me babou inteira. Mereço.
Saí do cinema logo depois que consegui me soltar deste menino. O problema é que eu não sabia como voltar para casa.
Não sou mais criança, perguntei para o guardinha o que eu deveria fazer, que ônibus tinha que pegar. Ele me explicou umas coisas que eu não entendi direito, mas agradeci e fui.
Deduzi que deveria parar no ponto e esperar algum ônibus passar. Era de noite e não passava nem mosquito naquela rua.
Comecei a ficar preocupada quando vi três caras vindo em minha direção.

A Menina

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fille (dois)

- Hahaha - o menino olha para minha cara, para minha blusa, ri e sai.
- Oi, não sei se você percebeu, mas tem chocolate quente em mim - digo, após cutucá-lo.
- Eu vi, gata. O que quer que eu faça? - ele faz uma cara de ironia.
- Desculpas, pelo menos - falo e saio, ouvindo um 'desculpa' e risadinhas ao fundo.
Tenho que ir ao banheiro tentar recuperar o estrago na minha blusa. É, não deu muito certo, ficou um borrão no meio, mas... paciência. Estava atrasada para a próxima aula.
- Com licença - pedi educadamente.
- Claro, pode entrar... - o professor parecia tentar lembrar meu nome.
- Maria Julia, sou nova na escola - disse, entrando.
- Seja bem vinda - ele foi fofo.
Sentei na cadeira vazia do lado de um menino. Acompanhei a aula junto com ele e fizemos as atividades propostas pelo professor.
Tarefa de casa: observar as pessoas na rua e escolher uma para interpretar. Isso me pareceu interessante. Já estava começando a imaginar quando fui interrompida:
- A gente poderia fazer essa tarefa juntos né?
- Ahm, é? - respondi, meio assustada, para o menino que sentou ao meu lado na aula.
- É, podemos sair para jantar ou algo do tipo - acho que ele não queria fazer a tarefa...
- Ah, acho que não, fica para uma próxima - sai.
Gente, o pessoal aqui é sempre assim? Na maior intimidade com todo mundo?
Fui a pé para casa e já começei a reparar nas pessoas. Me apaixonei pela sehora que estava sentada no banquinho do lado de fora da pensão. Ela estava alimentando uns passarinhos. Cortava o pão bem pequenininho, esfarelava e abria a mão. O passarinho ia pegar, com o maior cuidado, as migalhas na mão da senhora. Ela repetia a mesma coisa várias vezes, mas era incrível a delicadeza que ela tinha ao realizar os gestos. Fiquei horas e horas reparando até alguém me dar um susto:
- Oiiiii amiga!
- Ai, que susto, oi - as pessoas têm mania de surpreeder os outros aqui ein.
- Então, vamos no shopping? - perguntou Amanda.
- Desculpa, mas acho que a gente não combina - falei.
- Ah, aquilo não foi nada. Eu tenho mania de falar o que eu penso mesmo, na cara - ela parou e ficou me olhando.
- Não sei não... - desconfiei.
- Por favor, me dá mais uma chance! - ela implorou.
- Tudo bem - eu não tinha amigos aqui mesmo, o que custava né?
- Ebaaa! Em meia hora eu passo aqui para te pegar. Você mora nesta pensão? - cara de nojo.
- Moro sim - sorri, ironicamente.
- Ui, mas tudo bem. Meia hora. E vê se veste uma roupa melhorzinha - ela falou, saindo.
Me arrumei e desci para esperá-la. No horário combinado, ela chega, super empolgada:
- Amiga, vamos!
Comecei a andar e travei na metade quando vi quem estava dirigindo o carro: o cara do chocolate quente.


Até a próxima,
A Menina

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fille

Gente, a história anterior deu tão certo que resolvi escrever outra.


Cidade nova, escola nova, pessoas desconhecidas. Começa mais um ano, mas esse será diferente. Escola de Artes, aí vou eu.
Aluguei um quarto em uma pensão que fica a duas quadras da escola. Não era nada de mais, mas dona pareceu simpática.
Primeiro dia de aula. Me senti uma estranha pelos corredores, todos pareciam se conhecer e me olhavam como se estivesse algo de errado comigo.
- Oi, sou nova aqui. Você pode me dizer para onde tenho que ir? - perguntei na secretaria.
- Claro, qual o seu nome? - disse uma mulher baixinha, de óculos.
- Maria Julia Diniz - sorri.
- Você pode seguir o corredor e virar na penúltima sala à esquerda.
- Obrigada - agradeci e fui.
Quando cheguei tinha um grupo de meninas no fundo da sala, todas arrumadas e maquiadas, conversando sobre alguma coisa que eu não consegui entender. Sentei em uma cadeira e esperei a aula começar.
- Olá amiga! - levei um susto.
- Oi - falei, tímida.
- Mas que roupinha, ein - oi, que intimidade é essa?
- O que tem de errado com a minha roupa? - perguntei.
- Jeans, All Star e uma camiseta fora de moda, fofa - ela estava começando uma discussão com a pessoa errada.
- Não vejo problema nenhum - ignorei-a. Que menina metida.
Estava viajando em meus pensamentos quando o professor chegou, se apresentou e logo em seguida já passou uma atividade:
- Bom, formarei duplas e vocês terão que montar uma pequena cena de como acham que será a escola este ano.
Confesso que achei que ele passaria uma coisa mais interessante, mas. Quando ouço meu nome:
- Maria Julia e... Amanda - sim, a patricinha.
Toca um sino que eu imagino que seja o sinal para trocar de aula e dou graças a Deus por isso quando o professor anuncia:
- Bom, nada decidido ainda, continuarei na próxima aula.
Fui para a lanchonete. Peguei um pão de queijo e um chocolate quente. Quando estava me virando para procurar uma mesa vejo um borrão e alguém esbarrando em mim. O chocolate estava QUENTE, na minha blusa.
- Ei - é o que eu consigo falar.

Continua,
A Menina

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Gente, essa semana está uma loucura, provas, provas e mais provas. Estou preparando dois textos para postar aqui, em breve.

Obrigada,
A Menina